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A ABGLT - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE LÉSBICAS, GAYS, BISSEXUAIS, TRAVESTIS, TRANSEXUAIS E INTERSEXOS, organização nacional do movimento LGBTQIANP+ fundada em 1995 e com mais de 100 entidades afiliadas, vem através desta nota manifestar sua solidariedade à organização da Parada do Orgulho LGBT de Piracicaba e ao movimento LGBTQIAPN+ daquele município, em especial à ONG CASVI, em função de ataques sofridos em decorrência da realização da grande manifestação em defesa dos direitos desta população.


Nos dias que seguiram-se à realização da Parada um vereador da Câmara Municipal de Piracicaba investiu contra a manifestação, questionando o apoio da municipalidade ao evento, inicialmente sobre quais os valores dispendidos pelo poder público municipal à realização da Parada, e confrontando com o fato de um serviço da rede municipal de saúde estar fechado.


É lamentável que o referido vereador coloque em oposição a garantia do direito à saúde com o direito à manifestação de um movimento que luta por seus direitos. Tal raciocínio revela que o legislador citado não tem capacidade de compreender que os direitos humanos são unos e indivisíveis, e que não se realiza o direito à saúde em sua plenitude sem a superação da discriminação contra a população LGBTQIAPN+.



Além dessa incompreensão política, típica de mentalidades pouco afeitas à democracia e aos direitos humanos, o vereador tentou ainda atacar a Parada como "festa esquerdista", uma desqualificação reveladora do posicionamento autoritário do parlamentar.


E se não bastassem os ataques de um vereador bolsonarista, a organização da Parada do Orgulho LGBT de Piracicaba foi ainda alvo de manifestação negativa por parte de conhecida "celebridade" da noite LGBT, que atacou o evento em virtude de não lhe ter sido franqueada a palavra, alegando razões político-partidárias por parte da ONG CASVI.



A ONG CASVI é entidade do movimento LGBTI com atuação séria e combativa, o que é reconhecido pela maioria da militância LGBTQIAPN+ do Estado de São Paulo. E essa atuação lhe confere a legitimidade para deliberar sobre quem deverá ter o direito à palavra no ato político da Parada, até para evitar que oportunistas que não constroem cotidianamente as lutas da população LGBTQIAPN+ surjam nos dias das paradas para dela fazer " palanques eleitoreiros por aproveitadores.


Por todas estas razões, a ABGLT manifesta sua solidariedade à ONG CASVI e toda a militância LGBTQIAPN+ de Piracicaba, e repudia os ataques desferidos, que de origens diferentes têm em comum o desapreço pela democracia e pela legitimidade da organização de quem luta por seus direitos.


 

Conheça as principais propostas, com temas e eixos, o documento é um produto incentivador de debates.





Criado por 26 movimentos, organizações e entidades que constroem o Conselho Nacional Popular LGBTI+, o “Programa Brasil de Todas as Cores” será lançado nesta segunda-feira (16/5), às 19h, no Auditório da APEOESP, no centro de São Paulo.

O Programa é mais um instrumento para contribuir na construção de um conjunto de políticas públicas à população LGBTQIA+. A atividade de lançamento acontece durante o Encontro do Conselho Nacional Popular LGBTI+, que teve início neste último domingo (15) e se estende até terça-feira (17/5), Dia Internacional de Luta contra a LGBTQIA+fobia, com a realização do Ato Cultural “17M: Bolsonaro Nunca Mais”.

O documento está organizado em quatro eixos: “Interseccionalidades”, “A Política Nacional LGBTQIA+”, “Áreas Temáticas” e “Legislativo”. Cada eixo realiza um balanço e aponta perspectivas em torno da pauta da diversidade sexual e de gênero no âmbito da luta política no Brasil.

De maneira ampla, algumas propostas ocupam a centralidade do Programa, entras elas se destacam: o direito à moradia; direito a saúde e valorização do Sistema Único de Saúde (SUS); educação com respeito à diversidade; ampliação do Sistema único de Assistência Social (Suas); garantia do acesso à informação; defesa do meio ambiente; proteção da produção cientifica; segurança pública pautada na desmilitarização das polícias; a garantia de uma economia forte e capilarizada à sociedade; a não privatização das empresas públicas; e ampliação do acesso à justiça no Brasil.

A partir desses temas e eixos, o Programa é um produto incentivador de um debate que não se extingue nele. O Conselho Nacional Popular LGBTI+ sinaliza que a partir do documento é fundamental utilizá-lo para nortear debates e a construção coletiva que complemente e amplie a luta por cidadania, respeito e direitos.

(Por Wesley Lima)

 

Evento discutirá a atual conjuntura política e as estratégias de resistência ao fascismo.

(Foto/Arte: Gustavo Palermo)


São Paulo recebe entre os dias 15 e 17 de maio o Encontro do Conselho Nacional Popular LGBTI+. Fruto da articulação de mais de 25 organizações da sociedade civil, o Conselho Nacional Popular LGBTI+ nasceu no dia 28 de junho de 2020, data que marcou um ano da extinção do CNCD/LGBT (Conselho Nacional de Combate à Discriminação e Promoção dados Direitos Humanos de LGBT) pelo Governo Federal e também é o Dia Internacional do Orgulho LGBTI+.


A resistência vem sendo feita em resposta ao avanço do conservadorismo nas instituições de poder do nosso país, à grande perseguição das pessoas LGBTI+ no Brasil e aos ataques de direitos sofridos pela comunidade desde a eleição de Jair Bolsonaro em 2018.


Léo Ribas, articuladora nacional da Liga Brasileira de Lésbicas (LBL), explica que é necessário o fortalecimento da resistência à necropolítica nefasta instaurada oficialmente no Brasil.


"Compõem o Encontro entidades do movimento social organizado LGBTI, órgãos de classe, sindicatos e associações. O Conselho, que encabeça o Encontro, é composto por entidades de âmbito Nacional que defendem o estado democrático de direito, a ciência e a vida das populações vulneráveis", pontua.


Dê Silva, mulher trans e professora da rede municipal de educação em Rondonópolis, representa a Via Campesina Brasil no Conselho.


"O Encontro nasce com o intuito de denunciar os assassinatos e a violência que atinge as populações LGBTQIA+ e a impunidade dos crimes cometidos contra a nossa população", argumenta.


​​Segundo a professora, o Encontro trará a sistematização das discussões negligenciadas pelo governo federal e que representam Bolsonaro. O evento também discutirá as violências fruto da intolerância, do desrespeito, do fascismo e do ódio que tem sido impregnado na população brasileira e a sociedade como um todo.


"O objetivo é, também, fazer atos políticos e culturais a fim da promoção e defesa da cultura, da liberdade de ser e amar quem a gente desejar e exigir do Estado brasileiro que se cumpram os direitos constitucionais e que seja resguardado sobretudo a população LGBTQIA+ o direito à dignidade humana", argumenta.


Um encontro para todas e todos

"O Encontro é popular e a mobilização desse encontro tem sido feita pelas mais de 25 organizações que compõem o nosso Conselho Nacional Popular LGBTQIA+. Nós entendemos que nesse momento histórico que vive o Brasil a unidade faz necessário", explica Dê Silva.


"É necessária a união da classe trabalhadora para derrotar o fascismo, para derrotar a política de ódio. É preciso unidade das organizações LGBTQIA+ do Brasil e das organizações que discutem o campo mais progressista brasileiro para fazermos o enfrentamento a essa mazela que caminha historicamente com o povo brasileiro que é a intolerância, que é o desrespeito às populações LGBTQIA+", finaliza.


PROGRAMAÇÃO

"Nós teremos três dias de uma programação intensa envolvendo mesas de diálogo, palestras, discussões acerca dos temas que envolvem as populações LGBTQIA+ no Brasil", explica a professora.


O primeiro dia, domingo (15), terá como marco o lançamento do Programa Brasil de Todas as Cores, uma plataforma de luta e direitos sociais das LGBTI do Campo Popular, que visa discutir a implementação de políticas públicas para as populações LGBTI no Brasil.


A segunda-feira (16) contará com mesas de debate sobre a conjuntura política, sobre as demandas por políticas sociais e as estratégias de resistência ao fascismo. As discussões também percorrerão os campos da cultura e da arte.


O Encontro terá como encerramento um grande ato político e cultural intitulado "Bolsonaro Nunca Mais" com shows e intervenções.


"Nós queremos fazer esse chamamento público e coletivo, esse convite às populações LGBTQIA+ da grande São Paulo e região e fazer essa convocatória às pessoas que estão comprometidas com o debate da classe trabalhadora, que estão comprometidas com a defesa incessante dos direitos das populações LGBTQIA+ para que venha para as ruas com a gente no dia 17 nesta data tão simbólica de luta", enfatiza Dê Silva.




 
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